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História da Arte: entenda cronologicamente os estilos

Ter uma ideia de como se desenvolveu a História da Arte é um importante ativo para enriquecer qualquer destino.

E, como aqui acreditamos que a nossa missão é ajudar você com informações relevantes e interessantes que possa aproveitar mais e melhor as suas viagens, não poderíamos deixar de apresentar uma estrutura de como as artes se desenvolveram ao longo do tempo.

Prontos para no nosso resumão?

Uma perspectiva geral da História da Arte

O que não vamos englobar

Vamos pular toda a Pré-história e limitar a Arte Antiga ao período dos gregos e depois aos romanos (nos desculpem os apaixonados pela arte egípcia e dos povos do oriente, como a Mesopotâmia).

Vamos também limitar o alcance do nosso resumo até o início da Arte Moderna: deste ponto em diante fica para um futuro post.

Isso é necessário porque a partir deste período as artes passaram a ser classificadas por movimentos, e também passou a incorporar outras mídias, além das tradicionais arquitetura, pintura e escultura.

Ao longo da nossa linha do tempo vamos concentrar nos estilos mais em voga no ocidente: deixando de lado ainda a artes Bizantina, Árabe, e de todo o oriente.

Os estilos em ordem cronológica

De uma maneira geral, no intervalo de tempo que escolhemos, temos:

  1. Clássico;
  2. Românico;
  3. Gótico;
  4. Renascentista;
  5. Barroco;
  6. Neoclássico;
  7. Art Nouveau e Art Déco.

Quando nasceu a História da Arte

Achamos importante registrar que o primeiro historiador de Arte foi Giorgio Vasari, um artista italiano que viveu entre 1511 e 1574.

Ele é o autor do primeiro livro que trata de contar a trajetória da Arte, conhecido como Vite, e nele apresentava uma biografia dos melhores artistas de seu tempo.

Na época de Vasari estava em voga o Renascimento italiano, e ele achava que a Arte Medieval era coisa ultrapassada. Ligada ao período das Trevas.

Foi neste seu livro que surgiu o termo “Gótico”, usado para se referir ao estilo arquitetônico que até então era conhecido como “Obra Francesa”, ou a Arte das Catedrais (já comentamos sobre o assunto quando contamos a história da construção da Catedral de Colônia).

Gótico é uma palavra derivada de Godos, uma ancestral tribo germânica ligada às invasões bárbaras. Godo em latim é Gothi, daí o nome.

Um breve compilado didático do Clássico ao Art Déco

Abaixo de cada um dos estilos apresentados vamos dar o intervalo em que ocorreram apenas de uma maneira aproximada, para você se situar mais facilmente.

É bom ressaltar que um estilo não acaba no momento em começa o outroa arte vai se modificando, é um processo de ajuste, e ocorre mais ou menos rapidamente ao longo do tempo e em cada país.

1. A Arte Antiga: o estilo Clássico

Também conhecido como Antiguidade Clássica, é o período que engloba a Arte Greco-Romana — um longo intervalo que teve início em 800 a.C. e só terminou com a queda do Império Romano, em 476 d.C..

São duas civilizações diferentes, os gregos mais antigos, ligados à glória dos heróis da Ilíada e da Odisseia, e os romanos do Império que dominou quase toda a Europa, e parte da África e da Ásia.

Além de ser um estilo extremamente sofisticado e bastante desenvolvido, é a arte ligada aos vencedores e aos criadores da referência maior da cultura ocidental.

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À esquerda, detalhe da fachada do Templo do Mileto, no Museu Pergamon de Berlim. À direita capitel de coluna jônica, na Gliptoteca de Copenhagen.

Impossível quem não se encante com a beleza e perfeição das esculturas, a elegância das construções e a alegria das pinturas. Foi também quando teve início a música, o teatro, a literatura e a poesia…

2. O Românico

Teve início por volta do ano 1000 e se desenvolveu até meados do século XIII — os últimos exemplos são mais ricos e elaborados.

É a arte que ficou ligada ao tempo das Cruzadas. E, para não esquecer o que é o românico, acho que facilita entender que foi o estilo arquitetônico que transformou as igrejas em fortalezas.

As construções românicas são sólidas e sempre pesadas visualmente: paredes com grande espessura, poucas e pequenas aberturas, ambientes pouco iluminados e fachadas quase sem decoração.

É como se não houvesse tempo a perder com a decoração. A não ser nos claustros dos mosteiros do período: ali, onde a vida custava a passar, desenvolveram-se belos rendados em pedra e uma arquitetura que encanta até os dias de hoje.

No período românico, de uma maneira geral, as esculturas perderam a leveza da captura do movimento, que existia no estilo clássico, e se tornam imóveis. Duras como as igrejas e catedrais da época.

A pintura retrocedeu, e sem perspectiva ou qualquer movimento, não deixaram de parecer bidimensionais, ganhando relevo com técnicas herdadas das iluminuras.

E uma curiosidade sobre o estilo

Foi neste contexto de Cruzadas que nasceram as chamadas igrejas de peregrinação. E é curioso que alguns dos caminhos que tiveram início lá pelo século IX são percorridos até hoje. Ainda que, quase sempre, por motivos diferentes.

Exemplos disso são a Catedral de Santiago de Compostela (que sofreu modificações ao longo do tempo) e a Basílica de Vezelay, que conservou a estrutura românica.

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À esquerda detalhe de capitel com escultura românica, em Vézelay. À direita detalhe dfachada da Catedral de Colônia.

3. O Gótico

As primeiras obras aparecem nos anos 1200 e se extendem até a primeira metade dos anos 1500 — nas obras tardias de Portugal, por exemplo.

Nasceu com a arquitetura de imensas e belíssimas catedrais na França, como a Notre Dame de Reims e a de Chartres, e ganhou a Europa.

Graças às novas técnicas construtivas as catedrais se tornaram maiores, mais altas e visualmente mais leves. Além disso, o novo sistema de distribuição de carga nas estruturas possibilitou maiores aberturas: e a luz passou a desempenhar um papel importante nestas obras, valorizada pela arte dos vitrais.

A decoração voltou a ser importante e as fachadas foram revestidas por uma profusão de detalhes e esculturas — em total contraponto ao estilo anterior.

A pintura a óleo também se desenvolveu e os artistas voltam a pintar paisagens, se esforçando para trazer a sensação de tridimensionalidade às suas obras.

As esculturas tornaram-se mais interessantes, mais detalhadas e ganharam muito mais destaque.

Subdivisões do estilo

A chamada Arte das Catedrais ganhou a Europa e o que passou a ser conhecido por Gótico chegou a diversos países.

Em Portugal, ainda que um tanto tardio se comparado a outros países, nasceu o chamado Estilo Manuelino: trata-se de uma arte local, intimamente ligada ao sucesso da Era das Descobertas e ao poder de Portugal naquele momento.

E, claro, ao rei que governava o país: D. Manuel I.

São diversos os exemplos da Arte Manuelina em Portugal, mas o Mosteiro dos Jerónimos é a máxima expressão, e um dos lugares que não podem deixar de ser visitados quando em Lisboa.

4. O Renascimento

Tem início nos anos 1300 e alcança o máximo do desenvolvimento na metade do século XVI.

É o estilo ligado ao humanismo, à valorização da racionalidade e ao desenvolvimento da ciência.

Teve início na Toscana, sobretudo em Florença, patrocinado por famílias poderosas como os Médici e os Strozzi.

A pintura se desenvolveu rapidamente a partir dos anos 1300, inicialmente com artistas como Giotto e, já no século seguinte, com Fra Angelico.

As construções se tornaram ainda mais decorativas, e nomes de arquitetos construtores como Alberti, Brunelleschi, Michelangelo e Bramante tornaram possíveis obras majestosas e extremamente complexas.

A pintura alcançou o auge da representação nos anos 1500, com artistas com Rafael, Botticelli e o genial e multitalentoso Leonardo Da Vinci. Assim como a escultura atingiu a perfeição da forma, com nomes capitaneados por Michelangelo e Gianbologna.

Maquiavel escreveu seu O Príncipe: obra que se mantém atual até os dias de hoje.

A Toscana se tornou, definitivamente, o centro irradiador de cultura na Europa.

O Renascimento e o Maneirismo

A Europa se italianizou e o estilo foi adotado em diversos países, mas deixou de ser chamado de Renascentista, passando a ser conhecido por Maneirista: “feito à maneira de”.

Alguns destaques

Na Alemanha se destaca a pintura, como nomes extremamente criativos como Albrecht Dürer, Pieter Brueghel e Hieronymus Bosch.

Na Espanha, celebrando a chamada Reconquista, artistas como Miguel de Cervantes, na literatura, e El Greco, na pintura, são referências para não esquecer.

Na Inglaterra o período coincide com a chamada Era Dourada, ou Elisabetana. Não consigo pensar em alguém mais expressivo que William Shakespeare.

5. O Barroco

Tem início em Roma, nas primeiras décadas do século XVI e vai até o final do século XVIII.

Estamos sempre repetindo que para entender o Barroco é preciso pensar que o estilo nasceu como uma das principais armas da Igreja Católica contra a Reforma Protestante.

Mas, qual foi o motivo da Reforma iniciada por Lutero?

Entendendo o que levou à Reforma e seus desdobramentos na História da Arte

De uma maneira indireta, pode-se dizer que foi o Renascimento o responsável pela Reforma.

A invenção da prensa por Gutenberg possibilitou que mais livros chegassem a um número maior de pessoas. Estudiosos traduziram a Bíblia do latim, o que somado ao desenvolvimento de ciências como a medicina e a astronomia serviram para diminuíram a força da Igreja Católica.

A gota final foi o exagero com os gastos para as novas obras da sede do Papado em Roma.

A construção de obras suntuosas como as do Vaticano fizeram com que fosse necessário aumentar rapidamente o caixa, e a maneira encontrada para cobrir os imensos desembolsos foi a absurda venda de Indulgências.

Funcionava da seguinte maneira: era só pagar à Igreja e ter os pecados perdoados. Na prática era como se estivesse à venda um lugar no céu.

Foi um imenso escândalo, que o monge agostiniano Martinho Lutero escancarou por toda a Europa, começando a Reforma. E o Protestantismo, se espalhou rapidamente por diversos países.

Uma arma eficiente e encantadora

É claro que a Igreja Católica iria combater a Revolução Protestante: com o que entrou para a História como a Contrarreforma.

A primeira ação foi escolher para ficar à frente da Igreja um homem de respeito: o papa Paolo III assumiu e esteve à frente do Concílio de Trento, combatendo os exageros e colocando a ética acima das principais ações.

Foi criada a Companhia de Jesus, outra arma importante, e os soldados de Cristo — como também eram conhecidos os padres jesuítas — partiram para o Novo Mundo com a missão de catequizar e educar, de acordo com as doutrinas da fé que defendiam.

Para chamar de volta os fieis aos cultos católicos foi criado um estilo estético pensado para convidar o fiel a entrar e para encantá-lo, uma vez dentro das igrejas: é o nascimento do Barroco, com toda a sua pompa, encenação e exagero.

Como o Barroco é meu estilo preferido dentro da História da Arte já escrevemos muito sobre o assunto, além de termos editado e lançado um livro belíssimo.

Então, para saber mais sobre este período, confira os nossos posts:

O Rococó

Um sub-estilo do Barroco, tardio e enfraquecido esteticamente, menos rico e impressionante que o Barroco, e considerado mais fútil, intimamente ligado às monarquias que concentravam o poder, sem maiores preocupações com o bem estar geral da população.

O Rococó teve a sua imagem afetada pelo luxo descabido e pela afetação decadente. Rapidamente passou a ser combatido.

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Imagem de talha barroca em Portugal e de fachada Neoclássica, em Berlim.

6. O Neoclássico

Tem início pouco antes da virada dos anos 1800 para 1900 e atravessa até as últimas décadas do século XIX.

Se considerarmos que o Barroco foi um estilo que sobrepôs o divino ao humano — pelos motivos que já explicamos anteriormente —, é fácil entender que ele ficou marcado não só como a arte da Igreja Católica, mas também dos governantes que a apoiavam.

E como sabemos, eram todos absolutistas.

Assim como já havia acontecido no Renascimento, houve um movimento de volta aos cânones gregos e romanos — com a defesa de ideais mais democráticos e justos.

Foi assim que o Neoclássico, ou à volta à Antiguidade Clássica, se tornou uma corrente Antibarroca: e o estilo foi rapidamente adotado por governos que queriam se descolar das antigas monarquias e deixar a sua marca de modernidade e correção.

Um dos primeiros a aproveitar a oportunidade foi Napoleão, que se aproveitou da elegante estética clássica para propagandear e perenizar as suas vitórias.

No Brasil, assim como já havia acontecido no reinado de D. João V, que deixou a sua marca nas construções barrocas — e decoradas com as imensas quantidades de ouro das Minas Gerais —, no Neoclássico passou a ser a estética do período Imperial — como já contamos em nosso livro, Do Reino Unido ao Império.

Mas, como já havia acontecido antes e como sempre volta a acontecer, o estilo acabaria perdendo força pela repetição exagerada de suas formas e pelo que ficou conhecido como Eclético: um estilo confuso e sem personalidade, que se perdeu em uma profusão de formas e tendências, deixando de ser utilizado.

7. O Art Nouveau e o Art Déco

O estilo nasce em meados da segunda metade do século XIX e se desenvolve até o final dos anos 1950.

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Detalhe com decoração floral, em Nancy; e recorte de projeto de vitral Jugendstil, em Viena.

Nosso posicionamento pessoal sobre o assunto

A maioria dos estudiosos de História da Arte separam os dois estilos — o que funciona bastante bem se pensarmos na produção francesa. Mas esta divisão só confunde ao vermos as obras austríacas, alemãs ou inglesas, por exemplo.

E é por isso que preferimos tratar os estilos juntos, estudando a geometrização paulatina do Art Nouveau ao Art Déco.

Depois de mais de uma década de observação e milhares de fotos, entendemos que tal geometrização não ocorreu de uma vez, nem em um só lugar.

Os dois nomes também não nos parecem universais, pois vieram de uma loja comercial e de uma exposição universal, respectivamente.

E, por isso, o tipo de obra que englobam têm nomes distintos em diferentes países, e mantém regionalismos — o que é comum na História da Arte. Conheça um pouco mais:

  • New Art, na Grã-Bretanha;
  • Jugendstil, na Alemanha;
  • Secession, na Áustria;
  • Liberty Stile, na Itália;
  • Modernismo, na Espanha.

De qualquer forma, também nasceu pela saturação do uso das formas do passado. E pode ser condensado pela frase que fica na fachada do Prédio da Secessão, em Viena:

A cada tempo a sua Arte.

A cada Arte a sua Liberdade.

É o estilo ligado aos Novos Tempos, à inovações industriais, e mais do que qualquer outro estilo permeou a sociedade como um todo: arquitetura, escultura, pintura, cinema, vestuários, móveis e objetos decorativos — e até a maquiagem.

Para saber mais sobre o estilo vale ver o nosso livro Art Déco — além de um projeto gráfico lindíssimo traz tudo sobre o período, de uma maneira muito interessante e inovadora.

A nossa Linha do Tempo da História da Arte

É claro que não pretendemos esgotar o assunto aqui neste post, mas oferecer uma perspectiva da linha do tempo dos estilos artísticosde maneira encadeada, para facilitar o entendimento, e o reconhecimento de cada um deles.

Eles são um testemunho de como o mundo era visto em cada momento.

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4 Comentários

  1. Uma aula maravilhosa de História da Arte. Eu até tentei escolher um apenas, mas deixando de fora o Românico e o Neoclássico, que têm seu valor, claro, mas não me atraem muito visualmente falando, gosto de todos. Os meus preferidos são o Renascentista e o Barroco. Parabéns pela riqueza do post 🌷

    1. Quem bom Daniele! Caprichamos para fazer um esumo bem completo!

  2. Artigo excelente sobre a História da Arte: adorei a leitura!

    1. Ei Natha! Adoramos a sua visita por aqui e, mais ainda, por ter gostado. Quando tiver críticas, fique a vontade! Elas também nos ajudam. beijinhos!

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