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Arquitetura Manuelina: conheça o Gótico tardio em Portugal

Você sabia que no período das Descobertas Portugal se tornou uma potência tão importante que, entre outras coisas, fez com que o estilo das construções daquele período ficasse conhecido como Arquitetura Manuelina?

E é justamente nesse período tão ligado à História do Brasil que foram construídos os monumentos portugueses mais importantes.

Quer saber por que e quais são? É só continuar de olho nesse post!

A Era das Descobertas

Teve início no reinado de D. João I, tendo como figura principal o infante D. Henrique. Sua primeira conquista ultramarina foi Ceuta, em 1415, abrindo caminho para o que viria a ser uma verdadeira epopeia.

Financiados pela Ordem de Cristo, herdeira dos templários em Portugal, conquistariam riqueza e reconhecimento internacional.

D. Manuel I: o reinado que entrou para a nossa História

Em 1495 D. Manuel I foi coroado após a morte de seu primo, D. João II, e deu continuidade ao desenvolvimento dos monopólios comerciais, apoiando as navegações.

A então já poderosa Ordem de Cristo aumentos ou aportes, e os investimentos no empreendimento foram complementados por banqueiros italianos e comerciantes de origem judaica.

Um dos resultados da empreitada foi o Descobrimento do Brasil!

Mas as terras no Novo Mundo só despertariam o interesse português posteriormente, quando o comércio com o Oriente já não fosse mais satisfatório.

A princípio as riquezas alcançadas com a rota para as Índias receberam total atenção do governo de D. Manuel I, o qual se tornou o mais poderoso e rico rei de Portugal até então.

E, foi assim que em seu governo o país foi tomado por uma espécie de euforia construtiva que deu às edificações de então características particulares e únicas.

Os projetos, ainda em estilo gótico, mas já com alguma influência renascentista, desenvolveram-se em uma época propícia da economia portuguesa.

Como resultado o rei entrou para a História como o “Venturoso”, ou “Felicíssimo”, e usou a nova arquitetura como um instrumento de propaganda, fazendo de suas marcas: a cruz da Ordem de Cristo, a esfera armilar e seu brasão, o centro de toda uma simbologia ligada ao mar.

Exemplos de Arquitetura Manuelina que você não pode deixar de conhecer:

É por isso que hoje podemos contemplar monumentos tão lindos quanto interessantes, onde se destacam as cordas, símbolos intimamente ligados à era das Navegações, com uma exuberância de formas que deram a Portugal suas mais belas construções. São elas:

  • Mosteiro dos Jerónimos;
  • Torre de Belém
  • as capelas inacabadas do Mosteiro da Batalha;
  •  a igreja do Convento de Cristo, em Tomar ;
  • o claustro do Mosteiro de Alcobaça.

É bom deixar registrado que existem outras dezenas de construções manuelinas espalhadas pelo país, e também em Cabo Verde, na Índia e no Marrocos. As 5 obras que escolhemos são as nossas preferidas.

Arquitetura manuelina
Visão do pátio interno da Torre de Belém, sobre o rio Tejo.

Um resumo do que você encontrará nas construções citadas

Em primeiro lugar, mesmo que não seja fã de Arte ou Arquitetura, o Manuelino é deslumbrante: uma profusão de detalhes, a imensidão dos espaços e a beleza de obras feitas tanto como demonstração de poder e riqueza, quanto para celebrar os feitos de toda uma Era.

Em Lisboa

É impossível conhecer Lisboa sem ter estado no Mosteiro dos Jerónimos e sem entrar na Torre de Belém.

O primeiro é o resultado da riqueza gerada naquela Era Dourada de Portugal, e o segundo marca o ponto de partida das expedições para o Novo Mundo.

Além da simbologia, são duas obras belíssimas e de grande apuro estético. E estão de frente ao rio Tejo, em um dos lugares mais aprazíveis da capital portuguesa.

O Jerónimos é a máxima expressão da Arquitetura Manuelina: afinal, foi construído para ser o panteão regio de D. Manuel I.

Além da imensidão do espaço que ocupa, os trabalhos em momento algum deixaram de receber o melhor detalhamento. Assim, tanto a fachada como o interior e os claustros, e também a Igreja de Santa Maria de Belém, são esplendorosos.

Preste atenção aos detalhes!

É interessante contar que a obra foi financiada por parte do imposto chamado a “Vintena da Pimenta”. Tratava-se da cobrança de uma pequena porcentagem de todo o comércio com as especiarias que vinham da África e do Oriente.

Se apenas uma porcentagem do imposto possibilitou esta magnífica obra, dá para ter uma ideia da riqueza que o país alcançou — e porque só passou a dar importância ao Brasil quando os volumes de negócios começaram a despencar…

Em Batalha

No Conselho de Leiria, ao norte de Lisboa, fica esta construção iniciada em 1385, para marcar a consolidação da Dinastia de Avis.

É um monumento tão bonito que vale uma ida a Portugal!

A parte que mais impressiona, sobretudo em dias de céu azul, é o Pantão de D. Duarte — também conhecido por Capelas Imperfeitas. Mas preferimos chamá-las de Capelas Inacabadas. Há um trabalho tão esmerado de rendilhado nas pedras de suas colunas que chega a emocionar.

Arquitetura Manuelina
A beleza do trabalho primoroso nas Capelas Inacabadas, em Batalha.

Em Tomar

O estilo artístico que antecedeu ao estilo Gótico foi o Românico — intimamente ligado ao período das Cruzadas.

Após o sucesso, e também aos excessos das Cruzadas, a Ordem dos Cavaleiros Templários foi extinta, em 1314. E os cruzados passaram a ser perseguidos.

Extremanete ricos e com expoentes das principais famílias europeias, parte destes cavaleiros se refugiaram em Portugal, e fundaram a Ordem da Cruz de Cristo. Seus membros eram experientes e influentes e escolheram como sede o Convento de Cristo, em Tomar.

A construção incial é uma capela octogonal, conhecida como Charola

Como já contamos anteriormente, foram os grandes financiadores do imenso desenvolvimento marítmo de Portugal.

Em Alcobaça

O Mosteiro Real de Santa Maria de Alcobaça fica na região central de Portugal e é a primeira construção gótica do país, com início em 1178.

Além do clautro, belíssimo, não deixe de prestar atenção aos dois sarcófagos que estão dentro da igreja: ali estão os restos mortais de D. Pedro I de Portugal, conhecido como “o Cruel“, ou “o Justo” e de sua amada, D. Inês de Castro.

Ela foi assassinada e a história dos dois é um dos relatos mais apaixonados, e violentos, da história portuguesa.

Antes de morrer D. Pedro ordenou a construção dos dois sarcófagos e exigiu que seu corpo fosse colocado ali. Estão frente a frente: para que no dia do Juízo, ao acordarem para a nova vida, a primeira coisa que vejam seja um ao outro

É de arrepiar!

Não temos Gótico ou Arquitetura Manuelina no Brasil, mas…

O Gótico é um estilo artístico que tem os exemplos desde os anos 1200, até meados do século XVI, de uma maneira tardia. Para saber como teve início este tipo de arte veja o nosso post sobre a Catedral de Colônia.

E vale ressaltar ainda que no Brasil este estilo arquitetônico influenciou a construção de prédios neomanuelinos (tardios) no final do século XIX e início do XX, como o Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro e o de Salvador, e o Centro Português, em Santos.

Portanto, você não terá conhecido Portugal de fato se não conhecer as principais obras da Arquitetura Manuelina no país.

Para saber mais sobre Lisboa ou para ver o nosso roteiro gratuito, que engloba as cidades de Porto e Évora, veja o nosso Ebook. É só clicar no banner abaixo deste post — e é grátis!

Ademais, para ter muitas dicas de História, Arte e Arquitetura em Portugal,no Brasil e em mais 30 países em que estivemos, é só ficar de olho nas publicações em nosso Instagram!

Então, esperamos você por lá!

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