Carcassonne vista geral

Carcassonne: uma cidadela medieval fortificada e seu divino Cassoulet

Carcassonne é uma cidade francesa de mais de 2600 anos, a maior cidade medieval fortificada da Europa. É dividida em duas áreas: a Cité, completamente murada e mais antiga; e a parte baixa, do século XIII. É também a terra do Cassoulet — um dos pratos mais tradicionais, e deliciosos, da culinária francesa. Mas há muito mais para contar deste destino de contos de fadas!

Extremamente bem preservada a pequena cidadela murada é Patrimônio Mundial da Humanidade desde 1997, e um dos lugares mais bonitos que já conhecemos.

Fica na Ocitânia, a região que engloba desde as montanhas dos Perineus até o mar: conhecida por sua boa gastronomia, onde são produzidos vinhos de qualidade e com muita História.

A cidade intramuros: Carcassonne
Ruelas estreitas e construções antiquíssimas em Carcassonne

Carcassonne antes dos tempos medievais

Existe registro de ocupação da região desde 3000 anos a.C., mas a origem da cidade é do tempo do Império Gálico. Depois, foi tomada pelos romanos, que a fortificaram e a nomearam Júlia Cárcaso.

Sofreu invasões ao longo dos séculos dos visigodos, sarracenos e cátaros. Foi um condado, um viscondado e em 1247 foi anexada pelo Reino da França.

Foi neste período em que teve suas muralhas reforçadas, afinal, Carcassonne fica bem perto da fronteira onde atualmente é a Espanha e que no passado era o já poderoso Reino de Aragão.

A origem do nome: a lenda de Carcas sonne!

Talvez o nome da cidade seja uma transformação do romano Cárcaso, mas os locais defendem que vem dos tempos medievais, e repetem a lenda da Dame Carcas.

Esta rica senhora era a mulher do príncipe muçulmano Ballak, morto em batalha ao tentar defender a cidade das tropas de Carlos Magno. Em número menor e sem condições de lutar contra os invasores Carcassonne foi protegida pela astuta princesa que ordenou a montagem de espantalhos de feno, vestidos como soldados e posicionados ao longo da muralha.

De longe pareciam centenas de homens de prontidão, e a cidade resistiu ao cerco — por 5 anos!!

Resiliência, Astúcia e um golpe de sorte

Depois de tanto tempo cercados e já quase sem mantimentos para manter o pequeno contingente que sobreviveu ao cerco e a fome, a princesa decidiu que tentaria um último truque: pegou um de seus últimos porcos e o alimentou o máximo possível com grãos.

Quando o animal estava bem recheado o lançou muralha abaixo, informando que era uma doação às tropas de Carlos Magno — em demonstração do quanto estava penalizada em ver aqueles homens perecerem por anos, enquanto em Carcassonne havia tanta fartura

Deu certo! Imaginando que ainda dispunham de muitos mantimentos e seguiriam resistindo por mais tempo, Carlos Magno desistiu do cerco. Enquanto suas tropas desmontavam seus acampamentos ouviram o badalar animado dos sinos da catedral e disseram: Carcas sonne — era o som da vitória de Carcas.

Como chegar a Carcassonne

A cidade fica a cerca de 90 km de Toulouse, servida por um Aeroporto Internacional. De lá você pode chegar à Carcassonne de ônibus ou trem, mas nós achamos que a melhor maneira de conhecer a região é de carro.

Assim você poderá facilmente chegar a outros vilarejos na vizinhança, igualmente charmosos. Mais à frente vamos dar dicas de alguns lugares imperdíveis em que estivemos!

Hospedagem: dentro ou fora das Muralhas?

Em primeiro lugar devemos explicar que Carcassonne é uma cidade dividida em duas: a Cité, que é a parte mais antiga e intramuros em um platô mais alto, e a chamada Cidade Baixa —originalmente Bastide de Saint-Louis.

A maioria das opções de hospedagem ficam, portanto, fora da cidade. Mas, como sempre optamos por dividir a nossa experiência, vamos contar como é se hospedar dentro da antiga fortaleza — e assim poder ver as ruas quase vazias à noite e cedinho: quando a maioria dos turistas ainda não chegaram e você terá Carcassonne quase que só para você.

É como estar de volta ao passado!

Hôtel de la Cité: uma estada para não esquecer jamais!

Carcassonne: vista do Hôtel de la Cité
Vista das muralhas e do Château Comtal do jardim do Hôtel de la Cité, ao qual tínhamos acesso pelo nosso quarto

Estivemos em Carcassonne no inverno e escolhemos nos hospedar no hotel que ocupa o antigo palácio bispal, bem pertinho da Basilica de Saint Nazaire.

Trata-se de um hotel charmoso e elegante, e alguns de seus quartos têm terraço com vista para as muralhas: tivemos a sorte de ficar em um deles.

Outra vantagem de se hospedar no Hòtel de la Cité é que seu restaurante principal, o La Barbacane, tem 1 estrela Michelin: você pode aproveitar a experiência gourmet e logo estará em seu quarto. Um luxo que vale o investimento — especialmente para casais em busca de um destino ultrarromântico.

O que ver em Carcassonne

Para começar: a cidade em si! São ruelas medievais, estreitas e tranquilas, pracinhas e a onipresente muralha protegendo todo o conjunto: as vezes em mais de uma camada!

sem pressa, curtindo, vendo as lojinhas, as pessoas, as antigas construções. E há apenas duas grandes atrações intramuros:

  1. Basílica de Saint Nazaire;
  2. Château Comtal e passear sobre as muralhas.

1. A antiga catedral e atual basílica

Construída onde já havia um templo do tempo dos romanos, começou a ser erigida no século XI em estilo romanesco, mas sua configuração final é do século XIV: gótica.

A fachada é bem detalhada e as muitas figuras rendem ótimos cliques fotográficos. No interior o que mais chama a atenção são os coloridos vitrais — exemplo do Gótico tardio, ou Flamejante (para entender mais sobre os estilos de arquitetura preparamos um post para descomplicar a História da Arte e outro só sobre o estilo Gótico).

Foi a catedral da cidade até o século XIX, quando foi rebaixada a basílica, e a posição de Catedral de Carcassonne passou a ser ocupado pela antiga Igreja de Saint-Michel — uma construção do século XIII, localizada na Cidade Baixa.

Não é preciso pagar ingresso para visitar a basílica, ou para adentrar a cidade murada de Carcassonne.

2. O castelo medieval e suas muralhas

O Château Comtal foi construído no século XII e é complementado por 3 km de muralhas e mais de 50 torres.

É interessante contar que originalmente era cátaro. Os cátaros eram cidadãos da região de Languedoc — a região original onde estão Carcassonne e Toulouse — que se voltaram contra o poder exagerado da Igreja Católica e fundaram uma religião dissidente. Seguiam sendo cristãos, mas se voltaram contra o papado.

Considerados hereges foram perseguidos e houve até a organização de uma Cruzada para exterminá-los: a única Cruzada criada para combater cristãos.

Esta e outras histórias são contadas no interior do castelo e você poderá circular pelas muralhas: são seguras e bem protegidas — desde que não tenha problema de mobilidade.

Vale ressaltar que atualmente, frente à uma reorganização na divisão na França, atualmente Carcassone pertence ao Departamento de Aude — de mesmo nome do rio que corta a lateral de Carcassonne e escoa até o mar.

Para entrar no castelo é preciso comprar ingressos, disponíveis a partir de 9,50 euros.

Castelo em Carcassonne
A entrada do Château Comtal: ponte de acesso e as torres ao longo da muralha fortificada de Carcassonne

Estando em Carcassonne, o que mais irei encontrar?

A pequena cidade é visitada por mais de 2 milhões de turistas anualmente — o que, em média, dá quase 5.500 visitantes a cada dia. É demais, considerando o tamanho de Carcassonne.

Mas este número deixa claro que o destino é especial — e por isso deve ser considerado em sua viagem pela França.

Na cidade baixa há uma animada praça central, com diversos bares, cafés e restaurantes. Além disso há um Museu de Belas Artes e outras atrações que podem lhe interessar. E nos meses da primavera e do verão é possível fazer passeios de barco pelo Canal du Midi, construído há mais de 300 anos e que desagua no Mediterrâneo.

E ainda há diversas pequenas cidades no entorno, muitas propriedades produtoras de vinho e muito a ser visto e descoberto: não deixe de dar um pulinho até a vizinha Lagrasse e visitar a sua abadia e também ir a Narbonne.

A origem do Cassoulet

Cassoulet é um dos pratos mais fáceis de serem apreciados na gastronomia francesa, original das cidades de Castelnandary, Carcassonne e Toulouse.

A receita original é da Guerras dos Cem Anos, que terminou em 1453 e diversos restaurantes locais se orgulham de suas melhores opções.

Em Carcassonne a diferença é que a receita leva um tipo especial de perdiz: nós provamos a do restaurante Le Trouvère — em plena Cité — estava realmente dos deuses!

É um tipo de feijoada branca, ideal para ser saboreado no inverno — feijão branco e carnes de porco e aves e alguns legumes e tomates cozidos e levados para gratinar em forno — é simplesmente delicioso e bastante calórico. Servido com pão: vai bem demais com vinho tinto e aquece até a alma!

Vale a visita?

Sim! Muitíssimo! Aliás, vale contar ainda que o entorno é ocupado pelas videiras mais antigas do país e a região é ideal também para aproveitar as trufas que crescem por lá.

Toda a parte histórica de Carcassonne foi restaurada no século XIX por Eugène Viollet-le Duc. Ele foi um arquiteto que dedicou sua carreira a restauração e preservação de patrimônio, tendo trabalhado também na Notre Dame de Paris; na Basílica de Santa Maria Madalena, em Vézelay; entre outras obras.

Agora que você já tem tudo que é preciso para conhecer Carcassonne, e caso queira ver outras das mais de 200 cidades em que estivemos, siga-nos no Instagram. Todo dia tem novidade por lá, e aqui, em nosso blog, os posts são semanais. Acompanhe!

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