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Aachen, dois mil anos de História na tríplice fronteira entre Alemanha, Bélgica e Holanda

Aquisgranum em latim, Aix-la-Chapelle em francês ou Aachen em alemão: seus nomes resumem a história de 2000 anos desta cidade situada na fronteira do mundo germânico com o mundo latino.

Estando em Colônia não perca a oportunidade de visitar o centro histórico de Aachen, em apenas 36 minutos de viagem de trem. A cidade fica próxima da tríplice fronteira Alemanha, Bélgica e Holanda — outro ponto turístico muito visitado na região. Ali é possível colocar os pés em três países em poucos minutos!

Origem de Aachen

O nome Aachen derivou de “aha”, água em germânico. Ainda no primeiro milênio após Cristo os romanos construíram banhos públicos nesta região de águas termais, denominando-as Aquae Granni.

Atualmente ainda existem termas — ideais para quem for passar mais tempo na cidade.

Posteriormente os francos de Carlos Magno traduziram “aha” por “aix” e, com a construção da catedral, passou a ser conhecida como Aix-la-Chapelle.

Aliás, a magnífica catedral de 1200 anos e a charmosa paisagem urbana de Aachen proporcionam uma visita cultural muito prazerosa, que pode ser agradavelmente complementada por sua excelente gastronomia e confeitaria.

Aachen
Vista da entrada principal da Catedral de Aachen: à direita, a capela octogonal, construída por Carlos Magno, origem da construção.

A Catedral da cidade

Aachen tornou-se o centro político do Sacro Império Romano-Germânico quando a cidade tornou-se sua capital, por opção de Carlos Magno, lá nascido por volta de 742.

A construção da capela octogonal, iniciada por ordem de Carlos Magno em 796, foi concluída e consagrada em 805. Em 814 recebeu os restos mortais do imperador.

Foi este o início desta grande catedral, construída, destruída e reconstruída por diversas vezes.

No entanto, a catedral que vemos hoje intacta é admirável pelo seu valor histórico e memória estética, perpetuando os  estilos bizantino, carolíngio e gótico, implantados ao longo do tempo.

Após a morte de Carlos Magno, foram consagrados na Catedral de Aachen os 32 imperadores do Sacro Império Romano-Germânico que o sucederam, com destaque para Carlos V (1500–1558), o homem mais poderoso do mundo em sua época.

A partir de 1562 a cerimônia da coroação dos imperadores foi transferida para Frankfurt.     

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Karlschrein, santuário de Carlos Magno em alemão, foi construído em 1215 para que na coroação de Frederico II, este ali depositasse os ossos de Carlos Magno.

Cronologia da história de Aachen

A cidade de Aachen e sua catedral, que hoje se apresentam impecáveis aos visitantes, já viveram muitas glórias, catástrofes e destruições durante a sua longa história, a qual relatamos sumariamente abaixo.

Para facilitar o entendimento da escala temporal de Aachen, inserimos como referência alguns pontos marcantes da História do Brasil

  • 2000 a.C.: existem indícios de que a região já era habitada;
  • 1000 a.C.: são conhecidos testemunhos de moradia dos Celtas no local.
  • 742: Aachen torna-se a capital do Sacro Império Romano-Germânico e, consequentemente, o centro político do Império;
  • 765: primeiro registro escrito da cidade. Pepino, o Breve, refere-se a Aachen como Aquis Villa;
  • 805: coroação de Carlos Magno;
  • 814: morte de Carlos Magno;
  • 881: a região é devastada pelos bárbaros;
  • 936: os imperadores germanos passam a ser coroados em Aachen;
  • 983: a cidade é reconstruída para a coroação de Otto III;
  • 1000: Otto III manda abrir o túmulo de Carlos Magno para veneração de seus restos mortais;
  • 1171: início da construção dos muros de Aachen;
  • 1257: construção das grandes muralhas externas de Aachen;
  • 1500: Descobrimento do Brasil por Pedro Alvares Cabral;
  • 1529: Carlos V é coroado em Aachen como soberano do Sacro Império Romano-Germânico. Foi um dos homens mais poderosos da história mundial;
  • 1554: fundação da cidade de São Paulo;
  • 1562: Frankfurt assume a coroação dos imperadores do Sacro Império Romano-Germânico, após 32  imperadores, desde 814, terem sido coroados em Aachen;
  • 1656: grande incêndio em Aachen, destruindo um número significativo de prédios;
  • 1794: ocupação de Aachen por tropas francesas de Napoleão;
  • 1801: Aachen é anexada à França;
  • 1815: Aachen passa para o Reino da Prússia;
  • 1818: evacuação das tropas francesas de Aachen, após derrota de Napoleão;
  • 1822: Independência do Brasil, proclamada por D. Pedro I;
  • 1889: Proclamação da República, por Deodoro da Fonseca;
  • 1914: início da 1ª Guerra Mundial;
  • 1918: fim da 1ª Guerra Mundial. Aachen é ocupada pelos vencedores até 1930;
  • 1930: revolução da Aliança Liberal coloca Getúlio Vargas no poder;
  • 1939: início da 2ª Guerra Mundial;
  • 1944: Aachen é ocupada pelos vencedores da 2ª Guerra Mundial;
  • 1945: fim da 2ª Guerra Mundial. Em Aachen restam apenas 12.000 habitantes após mortes e evacuações;
  • 1945: soldados brasileiros, os “Pracinhas” retornam vitoriosos para o Brasil;
  • 1945: a Alemanha é dividida em quatro zonas de ocupação. No oeste: as zonas americana, inglesa, francesa e, no leste, a zona soviética;
  • 1949: as três zonas de ocupação do oeste são unidas e formam a República Federal da Alemanha, com orientação capitalista, sob a tutela dos EUA, Inglaterra e França. A zona de ocupação do leste torna-se a República Democrática da Alemanha, com orientação socialista, e sob a tutela russa;
  • 1964: golpe de Estado no Brasil institui governos militares;
  • 1985: o Brasil retorna ao sistema democrático;
  • 1990: reunificação da Alemanha Ocidental com a Oriental. Berlim volta a ser a capital do país.

Vamos dar uma volta por Aachen?

Um passeio pela cidade proporciona encontrar diversas esculturas contemporâneas, muito interessantes, que nos oferecem boas oportunidades para fotografar, ou mesmo, somente apreciar uma estética criativa, atual e equilibrada.

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Puppenbrunnen: fonte dos bonecos. Obra de Boniface Strinberg de 1975. É uma escultura com bonecos articulados, apresentando as principais atividades da cidade: cavalo e cavaleiro; mulher do mercado; prelado da igreja; manequins da indústria têxtil; professor; máscara do carnaval.

Ao longo do passeio encontram-se também belos exemplos de pré-marketing, como estas estruturas publicitárias perpendiculares à fachada que, com criatividade e requinte estético, transmitem aos passantes as atividades ali oferecidas.

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Antiga estrutura informativa com carruagem, perpendicular a fachada, anunciando as atividades do local

O que vimos por lá

Por ruas bem mantidas em um centro histórico tão antigo você vai poder admirar construções das mais diversas eras, a maior parte delas provenientes do período pós 2ª Guerra Mundial.

Um ponto a destacar são as confeitarias pela cidade: estão por toda a parte! Doces variados e, sobretudo pães, de diversos cereais pouco conhecidos no Brasil, lotam as vitrines e abrirão o seu apetite.

Estação de trem da cidade

Se seguir minha recomendação e chegar a Aachen de trem não deixe de prestar atenção na fachada de sua estação. A restauração preservou o estilo original, o chamado Jugendstil.

Estar em Aachen é uma experiência. O visitante sente que vivenciou um passeio por 1.000 anos. Eu acho que vale a visita!

Para quem curte umas comprinhas, a Fernanda encontrou em uma praça ao lado da catedral uma loja só com joias de prata artesanais com design atraente, e a preços razoáveis. Pode ser uma boa pedida!

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4 Comentários

  1. Quanta história em um lugar, incrível!

    1. Demais mesmo! É um destino encantador.

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