Colônia tem mais de 2.000 anos de história, a catedral gótica mais visitada da Alemanha, o perfume mais antigo do Ocidente e um dos maiores carnavais da Europa.
É, portanto, uma cidade que acumula camadas com uma naturalidade desconcertante: a Colônia romana, a medieval, a napoleônica e a contemporânea coexistem a poucos quarteirões umas das outras.
Estive em Colônia mais de uma vez. Visitei a Catedral, subi suas torres, entrei no Museu Farina e bebi na fonte de água-de-colônia da loja histórica da Glockengasse. É, afinal, uma cidade que entrega muito mais do que a maioria dos roteiros da Alemanha promete.
Índice
- Colônia: a cidade que nunca perdeu a importância
- A Catedral de Colônia: 632 anos para ficar pronta
- A água-de-colônia: a história do perfume mais antigo do Ocidente
- Kölsch e Carnaval: o espírito da cidade
- Quando ir e como chegar
- Perguntas frequentes
Qual a história de Colônia: a cidade que nunca perdeu a importância
Fundada pelos romanos em 38 a.C. com o nome de Colonia Claudia Ara Agrippinensium, Colônia foi por séculos a capital da província romana Germania Inferior e o centro político e comercial mais importante da região do Reno. Quando o Sacro Império Romano-Germânico emergiu na Idade Média, a cidade manteve sua posição privilegiada, com uma influência cultural que vinha do norte da Itália e moldou seu caráter até hoje.
Com uma região metropolitana de quase 4 milhões de habitantes, Colônia é hoje a quarta maior cidade da Alemanha. No entanto, o que a distingue das outras grandes cidades alemãs é menos o tamanho do que o temperamento: é uma cidade mais calorosa, mais hospitaleira, com um espírito de celebração que destoa do norte mais reservado do país. Os bares animados, o Carnaval intenso e a Kölsch bebida em copinhos pequenos — sempre renovados antes de esvaziar — são, aliás, expressões disso.
Catedral de Colônia: 632 anos para ficar pronta

A Catedral de Colônia é o monumento mais visitado da Alemanha, com mais de 6 milhões de visitantes por ano. Terceira catedral gótica mais alta do mundo, recebe cerca de 20 mil pessoas por dia. Os números impressionam, mas é a história por trás da construção que a torna verdadeiramente extraordinária.
A pedra fundamental foi lançada em 1248 pelo arcebispo Konrad von Hochstaden, num local onde já havia uma basílica desde o século IV. A decisão de demolir a basílica existente e construir algo inteiramente novo tinha três motivações: a anterior era simples demais para abrigar as relíquias dos Reis Magos, trazidas de Milão para Colônia em 1164. Além disso, era uma demonstração de poder pessoal do arcebispo, que como príncipe eleitor do Sacro Império queria eternizar seu nome; e, por fim, o estilo gótico havia se tornado a linguagem da modernidade e do prestígio no século XIII.
Meister Gerhard e o projeto que durou seis séculos
Em seguida, para o projeto, Hochstaden trouxe de Amiens um mestre francês chamado Gérard, que ficou conhecido na Alemanha como Meister Gerhard. Afinal, o gótico havia nascido na França e as maiores referências do estilo — Chartres, Notre Dame de Paris, a Catedral de Amiens — eram obras francesas. Não havia, portanto, escolha mais ambiciosa.
O que é extraordinário, no entanto, é que a obra que existe hoje se manteve fiel ao traçado original de Meister Gerhard ao longo dos 632 anos que levou para ser concluída. Paralisações sucessivas — a Peste Negra de 1347, a Reforma Protestante, guerras e crises econômicas — atrasaram o projeto por séculos. Ainda assim, a construção só foi concluída em 1880, quando a Catedral foi finalmente finalizada com as duas torres que definem sua silhueta.
Como visitar a Catedral de Colônia
A Kölner Dom tem 533 degraus até o topo da torre, 10.000 m² de janelas, 108 gárgulas, 456 portas e foi atingida por 14 bombardeios na Segunda Guerra Mundial sem desabar. Os vitrais medievais e os modernos — incluindo um painel contemporâneo de Gerhard Richter composto por 11.500 quadrados de vidro colorido — merecem, portanto, tempo e luz adequada.
Já a Arca dos Três Reis Magos, encomendada ao ourives Nicolás de Verdun para guardar as relíquias trazidas de Milão, é uma das joias da ourivesaria medieval europeia e está exposta no interior da catedral. Vale observar de perto.
A água-de-colônia: a história do perfume mais antigo do Ocidente

A história da água-de-colônia começa longe da Alemanha. A fórmula original, chamada Aqua della Regina, saiu das mãos da Officina Profumo-Farmaceutica di Santa Maria Novella, em Florença, como presente para o casamento de Catarina de Médici com o rei Henrique II da França, em 1547. Era, portanto, uma fragrância fresca e suave, criada num momento em que os perfumes da época eram desenvolvidos principalmente para encobrir a falta de higiene comum ao período.
Cerca de um século e meio depois, o italiano Giovanni Maria Farina chegou a Colônia e estabeleceu sua casa de perfumes em 1709, usando uma fórmula muito próxima da original. Foi assim que batizou o produto de água-de-colônia, associando para sempre o nome da cidade alemã a essa fragrância. A Casa Farina existe até hoje no centro histórico de Colônia e, além disso, mantém um museu que conta essa história com objetos originais do século XVIII. Estive lá, e é, sem dúvida, uma visita que vale muito para quem tem interesse em história cultural europeia.
A 4711 e o número napoleônico
Mas a marca que tornou a água-de-colônia global foi outra. Em 1792, o mercador Wilhelm Muelhens abriu sua loja na Glockengasse de Colônia vendendo um “elixir vitalizante” com fórmula semelhante. Dois anos depois, quando Napoleão ocupou a cidade e numerou cada construção, a loja de Muelhens recebeu o número 4711. O nome ficou, a marca cresceu e, a partir de 1962, se tornou global.
A loja histórica da Glockengasse 4 ainda existe e tem uma fonte que jorra água-de-colônia, ideal para se refrescar nos meses mais quentes. Por isso, não deixe de entrar, refresque-se na fonte e conheça também as opções contemporâneas da marca. É, afinal, uma das paradas mais charmosas e inesperadas de Colônia — a poucos minutos a pé da Catedral.
A tradição da cerveja Kölsch
A Kölsch é a cerveja de Colônia: clara, leve, de alta fermentação, servida obrigatoriamente em copos cilíndricos de 200 ml chamados Stangen. O garçom repõe automaticamente antes do copo esvaziar, e só para quando o cliente coloca um porta-coaster sobre o copo. É, portanto, uma das tradições mais charmosas da cultura cervejeira alemã. Além disso, a rivalidade com a Altbier de Düsseldorf, a 45 km, é levada com um humor que diz muito sobre o caráter dos colonenses.
Como é o Carnaval de Colônia
O Carnaval de Colônia é um dos maiores da Europa, com origem direta na influência italiana da cidade: foi importado de Veneza durante o período do Sacro Império e nunca foi abandonado. Começa oficialmente no dia 11 de novembro às 11h11 e culmina na semana anterior à Quarta-Feira de Cinzas, com desfiles, bailes e uma atmosfera que transforma completamente a cidade. Por isso, se a viagem coincidir com esse período, é uma experiência completamente diferente.
Quando ir e como chegar

Colônia tem aeroporto internacional próprio e fica a menos de uma hora de trem de Frankfurt, o principal hub aéreo da Alemanha. É também ponto de passagem natural nos roteiros que incluem a Rota Romântica, o Rio Reno e as cidades medievais do oeste alemão.
A cidade funciona bem em qualquer época do ano. O Carnaval, em fevereiro ou março, transforma completamente a atmosfera; já o verão é agradável e os museus e a vida ao ar livre ao longo do Reno são o ponto alto. O Natal de Colônia, por sua vez, é um dos mercados natalinos mais tradicionais da Alemanha, ao redor da própria Catedral. Para quem quer conhecer a cidade sem multidões, setembro e outubro são, portanto, os meses mais equilibrados.
Para saber mais sobre as cidades alemãs e montar um roteiro completo pela Alemanha, confira nosso guia com as maiores cidades da Alemanha.
Tem mais dicas e informações sobre os lugares que visitamos no nosso Instagram @GallasDisperati.
Perguntas frequentes sobre Colônia, Alemanha
É o monumento mais visitado da Alemanha e a terceira catedral gótica mais alta do mundo. Levou 632 anos para ser concluída, desde 1248 até 1880, seguindo o mesmo projeto original sem modificações. Além disso, guarda a Arca dos Três Reis Magos, uma das joias da ourivesaria medieval europeia.
O perfume recebeu o nome da cidade alemã de Colônia (Köln) porque foi ali que Giovanni Maria Farina estabeleceu sua casa de perfumes em 1709 e popularizou a fragrância. Contudo, a fórmula original é muito mais antiga: foi criada em Florença em 1547 como presente de casamento para Catarina de Médici.
É a marca de água-de-colônia mais famosa do mundo, fundada em Colônia em 1792. O nome vem do número que as tropas de Napoleão atribuíram à loja da Glockengasse durante a ocupação francesa da cidade em 1794. A loja histórica ainda existe e tem uma fonte que jorra a fragrância original.
É a cerveja típica de Colônia: clara, leve, de alta fermentação, servida obrigatoriamente em copos cilíndricos de 200 ml chamados Stangen. Por lei, só pode ser chamada de Kölsch a cerveja produzida na região de Colônia. Dessa forma, é um dos poucos estilos de cerveja do mundo com denominação de origem protegida.
O caminho mais comum é voar para Frankfurt, o maior hub aéreo da Alemanha, e pegar o trem até Colônia, trajeto de menos de uma hora. Colônia também tem aeroporto próprio com voos europeus. Visto que a cidade fica na rota natural entre Frankfurt e as cidades do oeste alemão, encaixa facilmente em qualquer roteiro pela Alemanha.
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