são miguel das missoes

São Miguel das Missões, as impressionantes ruínas dos jesuítas

Escolhemos esse destino, em primeiro lugar, por ser pouco conhecido e carregado de parte importante da história do nosso país: as impressionantes ruínas de São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul.

Nesta pequena cidadezinha, que fica a uma distancia de quase 500 km de Porto Alegre, estão as ruínas da Igreja de São Miguel das Missões, a mais bem conservada de todo o conjunto missioneiro. Ainda estão de pé seu frontispício e torre, de 25 metros, ambos reforçados estruturalmente no final do século XX, para evitar desabamento.

Um pouco sobre o Barroco

Construída entre 1735 e 1745 em estilo Barroco sob direção do jesuíta João Batista Primoli e com o trabalho de 80 a 100 índios, a igreja tinha dimensões imponentes: 73 m de comprimento por 27 m de largura e 20 m de altura, com muros tem 3 m de espessura!

A redução de São Miguel foi a segunda a ser fundada pelos Jesuítas, em 1632. Seu desenvolvimento e crescimento foram tais a ponto de transformá-la na capital das Missões.

A organização e o nível de civilização dos índios catequizados dos Sete Povos das Missões fizeram com que tanto a coroa portuguesa quanto a espanhola, se interessassem por seus domínios. Além disso, os bandeirantes paulistas,  atacavam constantemente essas reduções jesuíticas, à procura de índios para serem escravizados.

O Barroco Missioneiro

Assim como aconteceu em outros países, e mesmo nas diferentes cidades brasileiras, o barroco das Missões ganhou características próprias, e por isso é classificado como missioneiro.

A derrocada do empreendimento

Com a assinatura em 1750 do importante Tratado de Madri, os índios catequizados recusaram-se a abandonar as suas terras. Logo após, entraram em choque com as tropas do governo de Portugal, e também contra os espanhóis, nas chamadas Guerras Guaraníticas.

Em número muito menor, pacíficos e sem treinamento militar preferiram atear fogo as suas cidades. Preferiram queimar o que haviam construído, para que não caísse nas mãos daqueles que os dizimaram.

Para saber mais sobre os jesuítas no Brasil, há bastante material em nosso livro A Casa da moeda de São Paulo, a primeira do Brasil, onde também escrevemos sobre a fundação desta ordem, na Itália. Ainda vale repetir que os jesuítas foram uma das mais eficientes armas da Igreja Católica contra a Reforma Protestante.

Apesar da motivação histórica deste sítio arqueológico, as ruínas de São Miguel são belíssimas e o lugar renderá, ao menos, centenas de fotos. Junto à antiga igreja barroca existe um museu, com diversas imagens missioneiras, de grande qualidade artística.

Imperdível também é o show noturno de luz e som nas ruínas, que chega a emocionar. Mas lembre-se de ir muito bem agasalhado (fomos no mês de setembro e o frio era bem forte). O aeroporto mais próximo fica a pouco mais de 40 km, em Santo Ângelo.

E se quiser saber mais sobre o estilo artístico

Se estiver interessado, temos um post onde explicamos melhor como surgiu e o que é o Barroco. E para entender como o estilo muda conforme o país, fizemos uma matéria sobre o Barroco Mestizo.

E, caso tenha interesse em ver outras fotos nossas de São Miguel das Missões, chequem nosso Instagram.

PS – Um jeito de ter uma ideia do período é assistir ao filme britânico The Mission, ou “A Missão”. Protagonizado pelos atores Robert de Niro e Jeremy Irons, cuja trilha sonora composta por Ennio Morricone levou vários prêmios, entre os quais BAFTA e Globo de Ouro .

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