viagens ao exterior de d pedro II

Viagens ao exterior de D Pedro II: quando o Imperador só queria ver o mundo

primeira das viagens ao exterior de D Pedro II ocorreu quando ele tinha 45 anos. Já era, portanto, um homem maduro, que inclusive havia perdido a sua filha mais jovem, Leopoldina (batizada em homenagem à avó paterna).

Desembarcaram em Lisboa, onde houve um encontro emocionante do nosso segundo Imperador com a sua madrasta, D. Amélia de Leuchtenberg.

Amélia foi a segunda esposa de D. Pedro I. Ela e o enteado jamais haviam deixado de se corresponder. Amélia morreria no mesmo ano: 1873.

De Portugal Pedro II e sua comitiva seguiram para conhecer a Espanha, França, Inglaterra, Bélgica, Alemanha, Itália, Ásia Menor, Palestina e Egito.

A saber: só embarcariam de volta ao Brasil 9 meses depois, partindo de Lisboa.

Curiosidades sobre D. Pedro II

Como é de se compreender, o fato do Imperador ter se afastado por tanto tempo do governo, somado à sua personalidade excêntrica, fez com que D. Pedro II tivesse a sua viagem satirizada em uma publicação chamada Apontamentos sobre a picaresca viagem do imperador do Rasilb pela Europa.

A publicação foi criação de um jovem português, Bordallo Pinheiro — que logo voltaria à sua terra natal e se tornaria famoso por sua Fábrica de Faianças em Caldas da Rainha. As peças continuam a ser produzidas e comercializadas até os dias de hoje.

Uma segunda viagem: em 1876

Três anos depois da primeira excursão internacional nosso segundo imperador voltou a viajar, e desta vez seu primeiro destino foi a América do Norte.

D Pedro II adorava e apoiava novidades e foi uma das principais figuras internacionais convidada para a inauguração da Exposição Mundial da Filadélfia.

Nesta oportunidade Pedro II conheceu duas importantes personalidades da ciência: Thomas Jefferson e Graham Bell. E foi ele quem atendeu a primeira chamada telefônica, durante a Exposição Mundial.

Depois toda a comitiva viajou ao Canadá e, aproveitou para voltar a Europa, passando pela Alemanha, Suécia, Finlândia, Rússia, Itália, Áustria, França, Inglaterra, Escócia, Irlanda, Holanda, Suíça e Portugal, e também foram a Turquia e retornaram ao Egito.

São famosas as fotografias de Pedro II e sua entourage em frente às pirâmides, que tanto havia impressionado o estudioso imperador. Uma delas encabeça esse post — são de domínio público.

Nesta viagem D Pedro II conviveu com imperadores, czares, reis, rainhas e artistas importantes e renomados do período, como Richard Wagner e Leon Tolstoi.

O duro retorno às atividades no Brasil

É claro que depois de tanto tempo fora foi extremamente penoso para D. Pedro II se adaptar novamente ao seu dia a dia austero e entediante à frente do governo brasileiro.

Por isso ele acabou se ressentindo com o cargo e se tornou um pessimista. E é compreensível, não é?!

Contribuiu para isto a instabilidade no país e a não aceitação popular da princesa Isabel como regente. O medo era que fosse o conde d’Eu a governar de fato — poucos confiavam no marido da princesa.

Por isso ele só viajou novamente ao exterior em 1887, já no final do Segundo Império.

A última das viagens ao exterior de D Pedro II enquanto Imperador

Para evitar críticas e cobranças D Pedro II afirmou estar partindo em busca de um bom tratamento médico.

Mas, isto não era exatamente verdade.

Embora ele tivesse a aparência de um ancião — afinal, havia buscado a vida toda parecer mais velho do que era de fato — D Pedro II tinha apenas pouco mais de sessenta anos.

Tratamento para o corpo e para a alma

Depois de descansar na chiquérrima Aix-les-bains seguiu, sempre acompanhado de sua comitiva, para outras cidades francesas. Estiveram também em Portugal, Alemanha, Bélgica e Itália, terra natal da imperatriz Teresa Cristina.

Em Milão foram mimados com uma apresentação de gala, organizada pelo maestro brasileiro Carlos Gomes. Logo depois recebeu o aviso de que havia sido assinada a Lei Áurea no Brasil, em maio de 1888.

O fim da escravidão em nosso país foi uma conquista árdua, mas que garantia, apenas, a liberdade. E isso não é muito, já que não houve qualquer planejamento com a questão da moradia, trabalho, saúde e educação para este contingente da população.

Voltaram ao Brasil após 13 meses, em agosto de 1888.

A derradeira travessia para Europa

A última das viagens ao exterior de D Pedro II teve início um dia após a Proclamação da República, ocorrida em 15 de novembro de 1889.

Foi extremamente traumática, sobretudo pela morte a bordo da imperatriz Teresa Cristina.

Para saber mais sobre o Segundo Império e aspectos interessantes do passado do nosso país recomendamos o livro Medalhas contam detalhes da História do Brasil.

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