quem foi o marques de pombal

Quem foi o Marquês de Pombal? Conheça o personagem

Sebastião José de Carvalho e Melo foi primeiro-ministro, diplomata, e o homem à frente do governo no reinado de D. José I. É amado e odiado por sua administração despótica e eficiente. Saiba mais e quem foi o Marquês de Pombal.

Longevo, viveu por mais de 80 anos, foi embaixador, político e o governante de fato após 1755 — quando Lisboa foi parcialmente destruída pelo Terremoto.

Foi quem assumiu a responsabilidade de reconstruir e reurbanizar a capital, mas isso não é nem o começo!

Sebastião José de Carvalho e Melo, mais conhecido por seu título nobiliárquico, é um personagem importantíssimo da História de Portugal, com decisões que afetaram também o Brasil.

E então, vamos saber tudo sobre quem foi o Marquês de Pombal?

Uma breve biografia do Pombal

Sebastião José de Carvalho e Melo nasceu em 1699, estudou em Coimbra foi embaixador em duas das mais importantes cortes europeias, Áustria e Inglaterra, e escolhido para ser primeiro ministro de D. José I — filho e sucessor de D. João V.

Assumiu em 1750, logo após a coroação de D. José I, que na época tinha 36 anos.

Era um grande estadista, homem de ideias iluministas e figura muito carismática, mas controverso. Afinal, foi quem exerceu o governo de fato na segunda metade do século XVIII, no lugar de um rei despreparado e inseguro.

Um homem decisivo para momentos difíceis

O terremoto violento que devastou Lisboa em 1755, seguido por um tsunami que varreu toda parte baixa da cidade, deixou a população em desespero.

Foi Pombal quem assumiu a responsabilidade de “enterrar os mortos e alimentar os vivos“, no lugar de um rei assustado e sem condições de lidar com tamanha catástrofe.

Fortalecido por sua atuação enérgica e eficaz, deste evento em diante Pombal tornou-se um governante despótico, amado por uns e odiado por outros.

Sem dúvida foi a sua energia e firmeza que possibilitaram a reconstrução da capital lusa, dando a região da baixa lisboeta a constituição urbanística que vemos hoje.

Sua visão de mundo possibilitou a criação de uma capital ordenada, com ruas e avenidas largas, em contraste com as ruas estreitas e tortuosas da região da Alfama, que resistiu ao sismo.

Conde de Oeiras

Carvalho e Melo não era membro das famílias mais tradicionais de Portugal e sua rápida ascensão despertou desconfiança entre os nobres, que o viam como um novo rico.

Para eles, era como se o Marquês de Pombal tivesse usurpado o poder que deveria ser deles!

No ano de 1757 houve uma Revolta na cidade do Porto, que trataremos mais adiante. No ano seguinte houve uma tentativa de Regicídio — e, mais uma vez, foi Pombal que resolveu o problema.

Em reconhecimento às suas ações e sua lealdade, o rei o nomeou Conde de Oeiras.

O Marquês de Pombal e o Vinho do Porto

A produção do ouro nas Minas Gerais que transformou D. João V em um dos reis mais poderosos de Portugal já havia começado a declinar e durante o reinado de D. José I o país estava em déficit comercial com a Inglaterra.

Pombal entendeu que poderia reverter a situação e se aproveitou da paixão dos ingleses pelo vinho fortificado, que já vinha sendo produzido na cidade do Porto.

A invenção da D.O.C

Esta foi a origem da primeira região D.O.C — denominação de origem controlada — com a criação da Companhia Geral de Agricultura das Vinhas do Alto Douro, em 1756.

Além de delimitar a área de produção, a companhia certificava os vinhos e os categorizava, fixando preços e condições de exportação. A ação se provou acertada e ao longo dos anos garantiu imensa fonte de renda para o governo.

Mas a implantação da Companhia foi feita de maneira extremamente autoritária. Quem não estava de acordo com as determinações governamentais ou eram banidos para colônias africanas, ou tiveram suas produções destruídas. Para Pombal eram ações necessárias para um bem maior, custasse o que custasse…

Ativa até nossos dias com o nome de Real Companhia Velha, é a mais antiga empresa de Portugal e das mais conhecidas produtoras de vinho do Porto. Sabia disso?

A tentativa de Regicídio

D. José I foi ferido a tiros quando retornava da casa de sua amante, que como o rei, era casada. Ele levou longos três meses para se recuperar.

Neste ínterim Pombal fez uma verdadeira devassa para encontrar os culpados e acusou a família da amante: marido, pai, parentes mais próximos. 

Todos eram membros da alta nobreza portuguesa, sobretudo da família Távora, mas também de muitas outras, entre os quais o Duque de Aveiro — da segunda família mais importante após a do rei: os Bragança.

De quebra, colocou alguns padres jesuítas no processo, igualmente condenados.

Os muitos implicados tiveram seus bens confiscados e foram executados em praça pública, de forma violenta — como era comum à época.

Pombal vingou o rei aniquilou todos aqueles que se opunham ao seu governo. Se tornou ainda mais temido e respeitado.

Racionalizando o governo

A experiência no exterior fez com que Pombal enxergasse que era preciso modernizar a máquina do governo  e implementou uma série de reformas para racionalizar a administração, de acordo com os ideais iluministas.

Foi por isso que resolveu agiu com tanta determinação na punição dos Távora e seus agregados. Assim resolveu dois problemas:

  • enfraqueceu a nobreza portuguesa, que tinha poder e riqueza possibilitando que agissem em desacordo com as ordens do governo;
  • extinguiu a poderosa Companhia de Jesus, até então autônoma e alheia a vontade do Estado. Além disso eles estavam à frente da educação no reino e nas colônias.

Desdobramentos no Brasil

Com o processo dos Távora e a implicação dos padres jesuítas foi determinada a expulsão da Companhia de Jesus de todos os domínios portugueses.

Claro que isso teve desdobramentos no Brasil, como no exemplo da região das Missões, sobre o que já escrevemos aqui no blog e em nossos livros.

Todo o sistema português de ensino na Europa nas colônias precisou ser reformado.

A Viradeira

Gozando de imenso prestígio recebeu o título de Marquês de Pombal em 1769.

Quando da morte de D. José I, em 1777, assumiu a coroa a sua filha e primeira mulher a governar Portugal: D. Maria I.

Católica e contrária às políticas absolutistas de Pombal e as reformas religiosas que ele havia iniciado, sua primeira ação como rainha foi banir Pombal da corte, iniciando o que entraria para a história como a Viradeira. Pombal foi rapidamente processado e condenado por abuso de poder.

Mas, não chegou a receber pena, por já contar quase 80 anos na ocasião e em respeito ao bem que ele havia feito.

Agora que já sabe quem foi o Marquês de Pombal

Se ainda ficou alguma dúvida ou para saber mais sobre quem foi o Marquês de Pombal, escrevemos sobre esta personalidade em três de nossos livros: A Casa da Moeda de São Paulo, As Moedas contam a História do Brasil e Medalhas contam detalhes da História do Brasil.

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E para ver imagens e dicas de viagens sobre Portugal e outros países em que já estivemos, siga-nos no Instagram! Lá nós temos até um vídeo onde contamos mais do Terremoto de 1755.

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