Bremen

Bremen: cidade medieval hanseática no norte da Alemanha

Fora do circuito turístico usual dos brasileiros, indicamos visitar Bremen, esta simpática cidade no norte da Alemanha.

Ela é facilmente acessível por Hamburgo, Berlim e um ótimo ponto de passagem para quem pretende estender a viagem para os um dos cinco Países Nórdicos: Dinamarca, Suécia, Finlândia, Noruega e Islândia.

Origem do brasão de Bremen e a Liga Hanseática

O brasão de Bremen tem origem em 1230, tendo por motivação a mensagem de Jesus Cristo para o apóstolo Pedro: ” Eu te darei as chaves do Reino dos Céus”. O apóstolo também é o padroeiro da cidade.

O brasão acima é de 1891, já do império alemão, de 1871-1918 . Apresenta uma chave, em estilo gótico, inclinada e colocada sobre o fundo vermelho da Liga Hanseática. Sobre o brasão vê-se uma coroa dourada e, nas laterais, dois leões — símbolos da força. Eles escoram com as patas diânteiras o conjunto heráldico.

Após a II Guerra, na refundação de Bremen em 1947, o brasão da cidade foi redesenhado em estilo contemporâneo, mantendo apenas os símbolos da chave sobre o vermelho e a coroa.

A Cidade Hanseática Livre de Bremen, com cerca de 550 mil habitantes, é a segunda cidade livre mais antiga do mundo: apenas superada por San Marino. É também o menor estado da Alemanha, formado por Bremen e Bremerhaven, um enclave portuário na Baixa Saxônia, com cerca de 120 mil habitantes.  

St. Petri Dom, a Catedral de São Pedro

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St. Petri Dom: fachada para o Marktplatz — Nave central com pessoas aguardando palestra.

Construída no estilo gótico entre 1200 e 1700, a catedral ostenta duas torres de 98 metros de altura. O apóstolo Pedro é o padroeiro desta magnífica catedral gótica.

Perfeitamente mantida, está situada no Markplatz, a Praça do Mercado, o centro histórico da cidade. Católica em sua fundação, teve um período calvinista e logo após tornou-se definitivamente luterana.

Compartilhando uma experiência única

Uma coincidência feliz da nossa estada em Bremen foi estarmos no interior da catedral por volta do meio dia fotografando os belos detalhes desta maravilhosa igreja medieval, quando fomos surpreendidos pela bela melodia de um órgão, seguida da chegada de um grupo de cerca de 50 ou mais pessoas da cidade.

Respeitosamente sentamos nos bancos mais afastados, quando, logo após, entrou na catedral um senhor elegantemente vestido que se posicionou no cruzamento das naves.  Diferente das catedrais católicas, é neste local onde tradicionalmente são realizados os rituais luteranos, nos quais não são usados altares ou roupas especiais para os cultos.

Logo ficamos encantados com a qualidade da exposição do palestrante e também sobre o seu tema: a responsabilidade do rico povo alemão frente aos pobres do país e do mundo.

Resumindo: afirmou que o bem estar construído com honradez, competência, esforço e dedicação não é um pecado e deve ser incentivado. Porém, isto não isenta os bem sucedidos de colaborarem para contribuir com o progresso dos mais carentes e necessitados do mundo.

Uma surpresa sobre o palestrante

Terminada a palestra de cerca de 30 minutos, voltamos para a nossa visita e fotos da catedral. Ao sairmos, tivemos a curiosidade de saber quem tinha sido o convincente palestrante.

Fomos consultar os quadros de avisos afixados na entrada: era apenas o reitor da Universidade de Bremen! 

Marktplatz, a Praça do Mercado

O Marktplatz, no centro de Bremen, é onde se concentram os principais edifícios e monumentos históricos da cidade. São destaques as construções da Rathaus, a prefeitura, e a estátua do Roland. Ambos são Patrimônios Mundiais da UNESCO, desde 2004. Outros destaques na praça são o já citado St. Petri Dom e escultura dos Bremer Musicanten, os Músicos de Bremen.

Estátuas do Roland são encontradas em algumas cidades medievais da Alemanha, de outros países na Europa, e até em Rolândia, no Norte do Paraná.

São símbolos dos direitos da cidadania, justiça e liberdade defendidos por Roland, soldado defensor do imperador Carlos Magno no século VIII.

E o Paraná: o que tem a ver com o Roland?

Em 1934 Rolândia recebeu seu nome por iniciativa de três imigrantes alemães nascidos em Bremen. São os fundadores da cidade: Oswald Nixdorf, Erich Koch-Wesser e Johannes Schauff. Em 1957 a cidade de Bremen doou uma estátua do Roland para Rolândia. 

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Estátua de Roland defronte a Rathaus; tradução do texto: “Relembre os irmãos que sofrem o destino da nossa separação”; os Músicos de Bremen.

Além da estátua do Roland, é comovente a mensagem destacada na praça, lembrando os sofrimentos dos prisioneiros da II Guerra Mundial.

E todos querem garantir a sua foto com a estátua dos Stadtmusicanten, os Músicos de Bremen: obra dos irmãos Grimm com os personagens galo, gato, cachorro e burro. Os quatro foram eternizados em estátua de 1953, de autoria de Gehard Marcks.

Die Stadtmusicanten, os Músicos de Bremen

O conto os Músicos de Bremen, é uma obra de 1819 dos irmãos Jacob e Wilhelm Grimm.

Em resumo, relata a epopéia de um burro dispensado que encontra um cachorro abandonado. Juntos seguem pela estrada até encontrarem um gato e um galo — os quatro foram desprezados pelo mesmo motivo cruel: haviam ficado velhos.

Todos se abrigaram juntos na floresta, mas não suportam o desconforto e decidiram continuar a caminhada em direção à luz de uma casa. Ao chegarem percebem ser um covil de bandidos e, o mais alto, o burro, viu pela janela uma mesa farta de comida e bebida.

Para invadir a casa fizeram uma pilha ameaçadora: o cachorro subiu nas costas do burro, o gato na do cachorro e o galo na do gato. Iniciaram em seguida uma música aterradora: o burro urrou, o cachorro latiu, o gato miou e o galo cantou.

Desta forma espantaram os bandidos! À meia noite, dormindo com luzes apagadas, foram surpreendidos por um dos bandidos a mando do chefe da quadrilha: mas ele foi repelido e relatou aos demais que a casa havia sido ocupada por bruxas e demônios.

Os bandidos desistiram da casa e os Músicos de Bremen decidiram se acomodar definitivamente ali.

Böttcherstrasse, a Rua do Açougueiro

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Der Lichtbringer, Aquele que traz a Luz. Obra de Bernad Hoetger, 1936.

A Böttcherstrasse, a Rua do Açougueiro, é uma pequena rua de 108 metros. Desde 1317 ligava o Marktplatz ao antigo porto da cidade no rio Wesel. Em 1933, com a mudança do porto para um novo local mais próximo do mar, a rua perdeu a sua função original e teve a sua ocupação alterada.

Notadamente Ludwig Rosselius (1874-1943), um comerciante e mecenas, colaborou para implantar na rua fachadas de arquitetura expressionista em alvenaria de tijolos de barro recozido.

Hoje a rua oferece um misto de lazer, comércio, arte e cultura, ofertados em confeitarias, restaurantes, lojas, museus, cinema e galerias de arte bem montadas.

O ponto de maior destaque é, sem dúvida, a portada de sua entrada: um belo painel de bronze dourado à ouro do artista plástico Bernard Hoetger. A obra é intitulada Der Lichtbringer, Àquele que traz a luz, de 1936. É a representação do arcanjo Miguel com sua espada, lutando contra as forças do mal.

Schnoorviertel, antiga vila de pescadores e artesãos

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Schnoorviertel com casas em enxaimel e pintura de de Anton Brauner.

O bairro mais antigo de Bremen, o Schnoor, palavra que em alemão popular antigo significa corda, tem este nome por ter tido início em uma vila de pescadores e marinheiros que fabricavam cordas.

O início da ocupação do local foi à margem do canal Balge, um ramo lateral do Rio Weser, no qual estava o porto inicial de Bremen, aterrado em 1838.

A igreja St. Johann e as primeiras casas surgiram no início do século XV. Pouco atingido na II Guerra, o Schnoor resistiu aos projetos de reocupação comercial da área, propostos nos anos 1950.

Com ruas estreitas que não permitiam na sua quase totalidade o trânsito motorizado e habitações minúsculas, de 60 m², o Schnoor nos anos 50 era habitado por prostitutas, estudantes e artistas.

Em 1959 foi aprovada uma lei de preservação arquitetônica de 100 imóveis na área. Garantiram apoio financeiro, controle da conservação do patrimônio e estímulos para os projetos propostos.

Em 1981, para permitir melhor aproveitamento dos imóveis existentes, foi aprovado um plano permitindo unir internamente alguns imóveis tombados para viabilizar seu aproveitamento, mas proibindo alterações externas.

O Schnoor atual procura preservar a arquitetura, os estilos estéticos, a evolução histórica e a maneira de vida dos habitantes nas diversas épocas do bairro

O que encontramos no Schnoor

O suporte econômico desta antiga vila se compõe de atividades artesanais, antiquários, galerias de arte, cafés, restaurantes, museu e teatro. Desta forma tornou-se um dos principais atrativos turísticos de Bremen.

Em uma das galerias do Schnoor adquirimos o retrato à óleo ilustrado acima, obra do renomado pintor alemão Anton Brauner. Ele hoje está radicado no Texas, e sua obra tem estilo personalizado. Nós demos sorte e adquirimos o quadro por um bom preço.

Ao longo dos anos temos buscado encontrar e adquirir objetos de decoração para a nossa casa. O que trazemos como recordações marcantes de nossas viagens são memórias materiais de momentos agradáveis e um grande prazer para qualquer viajante.

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