Brasil Holandes

Brasil Holandês: um resumo descomplicado e motivos da Invasão

O Brasil Holandês é um dos períodos mais interessantes da nossa História: sabia que foi neste período em que foram cunhadas as primeiras moedas no Brasil?

E que quando foram obrigados a deixar o país uma pequena parcela da população se refugiou na Ilha de Manhattan, embrião da atual Nova York?

Mas o Brasil Holandês tem ainda muitas outras questões interessantes, e pouco conhecidas. Entenda melhor o período com o post que preparamos para você!

Nossa ligação com o Brasil Holandês

Começamos a estudar o Brasil Holandês juntos em 2001, para entender o contexto em que foram emitidas as moedas que circularam em nosso país — Alfredo dirigia o Museu Itaú Numismática e eu era a responsável pela criação dos textos das exposições e das monitorias ao público.

Em 2009 lançamos o nosso terceiro livro: “O Brasil Holandês, a Família Nassau, Moedas e Medalhas“.

Para escrevê-lo viajamos para os Países Baixos, Alemanha, Estados Unidos e pelo nordeste brasileiro para pesquisar os verdadeiros fatos que motivaram a Invasão e tudo que se seguiu até a assinatura do Tratado de Paz.

É um pequeno resumo de tudo isso que apresento a seguir.

À esquerda Alfredo na Biblioteca da Universidade de Leiden; à direita eu no acervo do Rijksmuseum, em Amsterdam — dois dos muitos lugares em que estivemos pesquisando imagens e fatos históricos para nosso livro.

O Motivo da Invasão

Para entender o que causou a Invasão do nordeste brasileiro precisamos voltar na História e explicar a conjuntura internacional do período.

A União das Coroas Ibéricas

Tudo começou após as coroas de Portugal e Espanha terem dividido o mundo a ser descoberto em dois, com a assinatura do Tratado de Tordesilhas, em 1494.

Logo depois o rei português D. Manuel I casou-se com a filha dos reis católicos Isabel de Castela e Fernando de Aragão. A jovem morreu deixando um bebê, que tampouco chegou a completar dois anos.

Mas a aliança entre os dois países seguiu e o jovem viúvo casou-se com a cunhada, com quem teve vários filhos e seu sucessor: D. João III. D. João reinou por 35 anos e foi sucedido pelo neto, uma criança de apenas 3 anos: D. Sebastião.

Embora já houvesse a preocupação com a questão sucessória em Portugal o jovem rei quando atingiu a idade adulta resolveu lutar nas Guerras da Reconquista no Marrocos e foi morto em combate, em 1578. Sem filhos a sua coroa foi herdada pelo tio-avô, um cardeal de 66 anos!

O cardeal D. Henrique até pensou em tentar produzir um herdeiro, mas morreu antes de encontrar uma solução para o problema, em 1580.

O parente mais próximo era ninguém menos que o homem mais poderoso de sua época: o rei espanhol Felipe II.

Teve início um longo período de 60 anos (1580-1640) em que Portugal foi governado pelos espanhóis.

Felipe II e seu radicalismo católico

Felipe II de Espanha era o filho mas velho de Carlos V Sacro Imperador Romano-Germânico — e de Isabel, filha do rei português D. Manuel.

Quando Felipe assumiu a coroa de Espanha era já era viúvo e estava casado com Mary, rainha da Inglaterra. Ele era também o governante nos Países Baixos, e nomeou sua meia-irmã, Margaretha de Parma, para governar aqueles estados — que não eram independentes.

Católico fervoroso iniciou uma perseguição contra os protestantes em toda a Península Ibérica e também nos Países Baixos — teve início a Guerra dos 80 anos e a luta pela independência neerlandesa.

É neste contexto que se segue a Invasão do nordeste brasileiro.

Brasil Holandês
A idílica Dillenburg, no vale do Rio Lahn, na Alemanha. É lá onde nasceu Guilherme de Nassau — Wilhelm I, Príncipe de Orange.

Guilherme de Nassau, um alemão na luta pela Independência dos Países Baixos

Em 1559 Guilherme de Nassau foi levado da Alemanha para assumir como governador dos estados da Holanda, Zelândia, Utrecht e Borgonha. Logo acabou se voltando contra a governadora Margaretha e assumindo a posição de figura principal contra os excessos impostos pelos espanhóis.

É em sua honra que foi composto o hino dos Países Baixos: o mais antigo do mundo. Guilherme, ou Wilhelm, é a figura celebrada em “Het Wilhelmus“.

Ele é o pai da Pátria Neerlandesa.

As Províncias Unidas dos Países Baixos se tornam a maior potência marítima europeia

Foi no governo de Frederic Hendrik, filho de Guilherme de Nassau, que os neerlandeses viveram a sua Era Dourada.

Ele governou entre 1625 e 1647, e foi quem entregou o comando da Companhia Privilegiada das Índias Ocidentais ao seu primo, outro alemão, que entrou para a história do nosso país com o nome de João Maurício de Nassau.

O fim da Guerra dos 80 anos ocorreu apenas em 1648, alguns meses após a morte de Frederic Hendrik, com a assinatura da Paz de Münster — ocasião em que foi finalmente consolidada e reconhecida a independência dos Países Baixos.

NBrasil Holandês
Estátua de João Maurício de Nassau em Praça do Recife — é cópia da original que fica no túmulo de Nassau em Siegen, na Alemanha.

O nordeste brasileiro não foi invadido por um país, mas por uma companhia

Esse é um ponto importante, que muitos não conhecem.

Quem organizou a Invasão de Salvador, em 1624, foi a chamada GWC Geoctroyeerde West-Indische Compagnie, ou Companhia Priviegiada das Índias Ocidentais.

A invasão foi motivada pela grande produção dos engenhos de açúcar no nordeste do Brasil, contrariando a proibição do governo espanhol, em comercializar com a colônia portuguesa.

Ocupados com a Guerra dos 80 anos e com tantas frentes na Europa, a coroa espanhola não tinha como administrar as terras no Brasil.

O Brasil Holandês foi pensado como um grande empreendimento comercial, e a GWC era dirigida por um conselho de 19 diretores: os 19 Senhores, ou Heeren 19.

Os invasores da Bahia foram expulsos em 1625. Mas o que aprenderam na ocasião os ajudou a se organizarem melhor, e capitalizados pelo maior butim da históriaa captura da Frota da Prata — voltaram e tomaram Pernambuco em 1630.

A imagem na parte superior deste post é uma gravura de época sobre a tomada da Frota da Prata dos espanhóis.

Jamais tiveram qualquer objetivo de fundar uma nação, o intuito era mesmo a exploração comercial do nordeste brasileiro.

Apenas deixaram a região em 1654, após algumas batalhas e uma longa tratativa entre os governos de Portugal e dos Países Baixos.

Anverso e reverso de moeda obsidional de 12 florins. Observe que em um lado aparece o nome da GWC e o do outro Brasil, e a data da cunhagem.

As primeiras moedas cunhadas no Brasil

Já em meio aos conflitos, nos anos de 1645 e 1646, as primeiras moedas em solo brasileiro foram cunhadas: as obsidionais holandesas.

Feitas na emergência, com o ouro vindo da Guiné, eram moedas cunhadas para pagar as tropas mercenárias.

No Brasil quem fosse pego com estas moedas era punido com a forca — elas serviam como prova de traição contra a coroa de Portugal. Na Europa as moedas obsidionais eram trocadas por moedas correntes, os florins holandeses.

Por isso são bastante raras: a maioria das peças que chegaram até os nossos dias foram recuperadas de um navio que naufragou na costa brasileira. Mas isso já é outra história…

E para saber mais sobre o Brasil Holandês

Gostou do nosso resumo sobre as motivações que fizeram com que os holandeses invadissem o Brasil no século XVII?

Neste caso, para saber tudo sobre:

  • a poderosa Família Nassau;
  • os personagens mais importantes do contexto internacional do período;
  • as moedas obsiodionais holandesas;
  • a captura da Frota da Prata;
  • a fundação de Nova York,

é só clicar no link abaixo, e você será direcionado ao nosso livro sobre o Brasil Holandês. Ele é completo, resultado de muita pesquisa e ilustrado com imagens de época e atuais, muitas das quais são inéditas.

Ou então é só nos acompanhar em nosso Instagram nos próximos dias mostraremos mais sobre o assunto.

Aqui em nosso blog toda semana apresentamos um novo post sobre Arte, História ou destinos de Viagem.

Até a próxima!

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