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Beaune: o coração da Borgonha e a história por trás de seu leilão anual de vinhos

Beaune é o coração da Borgonha, uma das regiões produtoras de vinho na França. Fica a menos de 50 km de Dijon, a capital adminstrativa da região, e a 312 km de Paris.

Nem pense em um bate e volta: Beaune merece ser conhecida com calma, para que possa aproveitar o melhor deste destino tão especial.

Está instalada em meio aos vinhedos mais famosos do país, na charmosa Côte d’Or — onde são produzidos Grands Crus e Premiers Crus que são um verdadeiro tesouro francês.

Propriedade viticultora em Beaune
Plantação de uvas, em propriedade cercada por muros de pedra, pertinho de Beaune. A imagem que aparece na parte superior do post é uma vista de rua do centro histórico da cidade.

Uma introdução aos vinhos da Borgonha

Alguns defendem ser a Borgonha a melhor região viticultora da França e a história da produção de vinhos por lá é tão antiga que data de antes da chegada dos Romanos.

Mas foi na Idade Média que a produção passou a ter qualidade, com o trabalho dos monges cistercienses.

São mais de 100 denominações de origem — 20 % de todo o país — divididos em 4 categorias:

  • Grand Crus;
  • Premier Crus;
  • Village;
  • Regionais.

São produzidos principalmente Pinot Noirs e Chardonnays, mas é preciso lembrar que o vinho Chablis também é borgonhês. São feitos ainda bons espumantes na região, que não podem ser chamados de Champagne — para entender melhor esta denominação veja o post que preparamos sobre Reims.

(E confira também o post que preparamos sobre vinhos).

Romanée-Conti, o vinho mais caro do mundo

É perto de Beaune, na chamada Côte d’Or, que estão algumas das mais caras e exclusivas produções de vinho da Europa.

O maior exemplo é a a Romanée-Conti, que produz o vinho mais caro do mundo!

Mas por ali você também irá encontrar outros vinhos de prestígio, como Pommard, Meursault, Montrachet e Clos de Vougeot.

Aliás, “clos” é o nome que se dá ao vinho produzido em propriedade murada — do tempo dos cistercienses.

Circular pelas estradas da região e passar pelas vinhas e seus muros de pedra já valem uma ida até lá!

Vale a pena se hospedar em Beaune?

Sim! Como afirmei acima, nem pense em um bate e volta.

Place Carnot, o coração de Beaune
O chafariz da Place Carnot, no centrinho de Beaune.

Muita gente acha que estando em Dijon dá para dar um pulinho até ali — mas a verdade é que você irá conhecer nada do lugar desta maneira. Beaune não é um lugar de passagem, é preciso experimentar a sua gastronomia, provar seus vinhos e ficar, no mínimo, dois dias inteiros.

Nós sugerimos que prolongue a sua estada para conhecer um pouco mais da Borgonha.

Vá de carro a Beaune

É possível ir de Dijon a Beaune de trem, mas nada se compara a chegar transitando pelas estradas menorzinhas, a única maneira de passar em frente às propriedades ancestrais.

Você também pode se organizar e alugar um carro por lá!

Estrada entre Beaune e Dijon
Um trecho da estrada de Beaune a Dijon.

Você poderá escolher ficar em alguma hospedagem fora da cidade — existem diversas, para todos os bolsos e tipos de viajantes, ou se hospedar em Beaune.

Nós estivemos lá na primavera e preferimos ficar bem no centro histórico, assim conhecemos toda a cidade a pé. E a noite circulávamos pela praça, onde ficam ótimos restaurantes, lojas e bares.

Hospice de Beaune, um dos monumentos mais queridos na França

Além do vinho e da gastronomia local, que é incrível, Beaune é também onde se encontra um dos monumentos mais importantes do país. Trata-se do Hospice de Beaune, um hospital medieval fundado em 1443.

A construção é linda, uma das obras góticas mais alegres que conhecemos. É um exemplo belíssimo e muito bem conservado de arquitetura medieval, com estrutura em enxaimel e telhado policromado — bastante comuns em países como França, Alemanha e Áustria.

É o chamado gótico flamboyant, ou gótico flamejante.

Hospice de Beaune
Vista do pátio interno do Hospice de Beaune.

A preocupação com a continuidade da obra

Um dos primeiros hospitais da Europa, o Hospice de Beaune foi criado por um casal para atender aos pobres e necessitados, após o fim da Guerra dos 100 anos. Naquele tempo a Europa foi assolada pela Peste, e a população mais carente estava sendo dizimada.

Nicolas Rolin e sua esposa Guigone de Salins eram herdeiros de famílias poderosas, e usaram a sua fortuna para construir uma obra pensada para durar. E que já tem mais de 550 anos!

Não só construíram o hospital, ao qual dedicaram o restante de suas vidas, como se asseguraram de que a obra tivesse continuidade.

Construído no coração da Borgonha, região ligada à produção de vinho desde os tempos ancestrais, doaram e receberam áreas de vinhas, o que foi se repetindo nos séculos seguintes.

Uma fundação cuida da manutenção do monumento, que permaneceu um hospital até os anos 1970, e que desde então é um museu — aberto ao público.

A cidade ganhou um hospital moderno e bem equipado, que recebe constantes investimentos para melhor atender a população local.

Tudo isso é possível graças ao cultivo das vinhas que pertencem à fundação, a cargo de 22 viticultores. É de lá que saem 85% dos Premier Crus que são produzidos na região.

Durante um final de semana, sempre em novembro, a produção vai a leilão no Hospice de Beaune. Parte do valor arrecadado — de algumas das mais renomadas e caras marcas de vinho do mundo — vai para a fundação.

E assim eles reinvestem na conservação do monumento, que também gera rendas com a visitação, e ampliam a produção vinícola — gerando cada vez mais recursos.

Genial ver uma obra tão longeva, não é mesmo?

Um destino e tanto para apreciadores de vinho

O que fazer em Beaune?

Degustação de vinhos, de queijos, provar as delícias de seus restaurantes — são diversos e é difícil não comer bem por lá. Vai encontrar desde lugares estrelados até pequenos bistrôs — tudo sempre muito charmoso.

Mas, planejamento é tudo em um destino como esse, então para os lugares mais badalados é melhor fazer reserva com antecedência.

Ah, e sabia que a mostarda é feita por ali? Pois é! Não deixe de ir até a fábrica da Edmond Fallot. E se for na primavera irá passar pelos campos em flor, antes da colheita dos grão de mostarda. Um encanto!

Não deixe de conhecer algumas prpopriedades no entorno, ou circular pelos vilarejos. Entre Beaune e Dijon são mais de 30.

Também são bastante procurados os tours de bicicleta, o Museu do Vinho e ainda é possível ter aulas de culinária. Quem se anima?

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